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Distopia e transhumanismo: sobre a escrita de Ópera de Tânatos



Por meio de minha outra página, o Blog Listas Literárias, lancei no último dia 10 pré-venda especial de meu novo livro [Quem quiser conferir, a campanha está neste link. Criei nela uma parceria especial para outros autores ou quem queira divulgar seu trabalho no LL], Ópera de Tânatos, uma ficção científica bastante distópica sobre um futuro talvez não muito distante. Gostaria de contar um pouco do processo de escrita deste breve romance dialogal.

Primeiramente, claro, dizer, assim como qualquer outra escrita, o livro é fruto de um conjunto de leituras, nesse caso específico, embebido fortemente nas distopias. Mas não as distopias recentes, as quais em grande parte passaram por certo abrandamento, perdendo o caráter de pesadelo, e muitas vezes com desfechos de valorização do "herói/heroína". Pretendo que meu desfecho lembre um pouco mais as distopias clássicas, Nós, Admirável Mundo Novo, e 1984, sem qualquer esperança ao final. Essas leituras e outras como Fahrenheit 451 influenciam fortemente esta breve narrativa, e aqueles que se aventurarem por suas páginas encontrarão lá muitas dessas referências.

Também, como a própria sinopse já aventa, teremos referências do universo cyberpunk, algumas que vim a conhecer, acreditem, apenas após a escrita de Ópera de Tânatos, como a excelente animação O Fantasma do Futuro. Nesta respectiva obra temos a densidade e a complexidade da transferência da consciência (ou alma) para dentro de uma máquina. Aliás, o estica-e-puxa entre ciência e fé parece ser talvez um dos diálogos entre os dois trabalhos. Contudo, neste gênero, sem dúvida alguma, entre os trabalhos literários, a grande influência nasce em Neuromancer e seu conceito de matrix. Ali as sementes da fusão entre biologia e redes digitais estão presentes. Também bebo muito nas obras de Philip K. Dick, talvez o mais enigmático e sensacional escritor de todos os tempos. Na verdade, na literatura e no cinema o transhumanismo tem instigado as mentes humanas e recentemente com os avanços que nos deixam muito mais próximo disso na realidade só tem incentivado cada vez mais a discussão, de episódios de Black Mirror como San Junípero a filmes como Transcendence, Cópias, além dos clássicos já citados.

O fato é que caminhos para o momento em que será possível abandonarmos nossas carcaças biológicas e levar nossas consciências para o universo das redes digitais. É esse momento que instiga minha narrativa, mas trazida aqui de forma futura. E a trago naquela perspectiva que caminha o gênero distopia enquanto alerta: sobre que efeitos políticos e sociais as mudanças tecnológicas provocam, isso a partir de perguntas que teríamos de ter sempre em mente em casos como este, da possibilidade de transcender para uma rede digital. Quem controlaria o processo? Como funcionaria? Quem teria direito ou poderia transcender? Só quem tivesse grana? Todo mundo? São perguntas que deveríamos estar fazendo neste estágio.

Para encerrar, embora, repita em nota na obra, vale dizer ainda da influência de 21 lições para o século 21 nesta narrativa. Neste trabalho Harari não só trata da relevância da ficção científica para a sociedade, como lança importantes reflexões sobre este nosso futuro próprio, especialmente um tema que deveria estar nas pautas governamentais: a obsolescência humana perante a tecnologia. Ópera de Tânatos procuram tratar disso, claro que com os tons sombrios do distópico.

O livro será lançado em 10 de setembro, e quem quiser ir conversando sobre a obra, fique à vontade.   


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