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Podem os pobres rebelarem-se?



Podem os pobres rebelarem-se? Essa é uma questão que volta e meia volta à tona, especialmente em tempos conflituosos quando massas burguesas à esquerda e a direita movem-se nos tablados dos jogos do poder, e não raro aos mais pobres de ambos os lados chegam acusações de que estes nunca se rebelam.

Tomemos por exemplo as jornadas de junho de 2013, inicialmente motivadas pela discussão dos valores das passagens em capitais urbanas. À frente das marchas estudantes, dos quais uma boa parcela não era sequer usuária do transporte coletivo. Nisso enquanto queimavam-se coletivos, não raro as imagens revelavam a aturdida massa operária, essa sim dependente do sistema, assistir em silêncio o embate entre os manifestantes e as forças do Estado. E claro, tal silêncio logo era execrado à esquerda e a direita.

Os pobres são historicamente cobrados por não produzirem uma revolução autêntica. Todos os olhos observam-nos críticos. Incriminadores. Culpam-nos por serem oprimidos. Entretanto, é possível acusar aos pobres de passividade, sem considerar e problematizar as estruturas e as correntes?

George Orwell (também) trata disso em 1984.  Especialmente no paradoxo que Winston apresenta e que precisa ser superado para que suas esperanças colocadas nos proletas se realize:

Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar. (ORWELL, 2013, p.90).

Essa é a questão que discuto em artigo publicado na revista eletrônica Mosaico Ibilce em 2017. Compartilho com vocês, abaixo, as reflexões construídas a partir da problematização dos proletas na obra de Orwell.

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